Safra menor de pinhão em 2025 deve elevar preços no Paraná e impactar o bolso do consumidor

O Paraná, estado símbolo da cultura do pinhão, se prepara para uma safra menor em 2025 — e o reflexo mais imediato já começa a ser sentido no bolso do consumidor.
Safra menor de pinhão em 2025 deve elevar preços no Paraná e impactar o bolso do consumidor

Especialistas e produtores alertam para um cenário de valorização do produto nas feiras e mercados, resultado direto da redução na colheita das sementes da araucária, árvore símbolo da região Sul.

A previsão é de uma queda significativa na oferta do pinhão em comparação com anos anteriores, o que deve manter os preços em alta ao longo da temporada. Em alguns pontos do estado, a saca já apresenta aumento de até 30% em relação ao mesmo período de 2024.

📉 Produção afetada por fatores climáticos e biológicos

De acordo com agrônomos e técnicos ambientais, a principal causa da redução está relacionada a fenômenos climáticos atípicos, como geadas fora de época, estiagens prolongadas e mudanças na temperatura durante o período de floração das araucárias. Além disso, a bienalidade da produção — característica natural da espécie — também contribui para a oscilação entre safras abundantes e safras mais escassas.

“O ciclo da araucária depende de uma combinação de fatores ambientais muito específicos. Quando há irregularidades no clima, o impacto na produção de pinhões é imediato”, explica o engenheiro florestal Carlos Mendes, consultor em manejo sustentável.

🛒 Impactos no mercado e no consumo

A menor oferta traz impactos diretos para o mercado local e para a gastronomia paranaense, onde o pinhão é ingrediente tradicional em receitas típicas de inverno, como paçocas, entreveros e assados. Restaurantes e pequenos comerciantes já relatam dificuldades em manter o abastecimento com preços competitivos.

“O cliente pergunta por que está mais caro, mas o produtor também está recebendo menos do campo. É uma cadeia que sofre inteira”, relata Marta Souza, comerciante em Guarapuava, que vende pinhão há mais de 15 anos na feira central.

Com a demanda aquecida e a oferta reduzida, o consumidor final deve sentir a diferença principalmente nos meses de junho e julho, quando o consumo atinge o pico devido às festas juninas e ao clima frio.

🌱 Desafios para o futuro da araucária

O cenário reacende o debate sobre a preservação das araucárias e o incentivo ao plantio sustentável. Embora protegidas por lei, as árvores nativas continuam ameaçadas pelo desmatamento e pela ausência de políticas públicas mais efetivas de incentivo à silvicultura de espécies nativas.

“A produção de pinhão não pode depender apenas da sorte climática. É preciso pensar em longo prazo, incentivar o plantio e garantir que as futuras gerações também possam desfrutar desse símbolo paranaense”, defende o biólogo Henrique Tavares, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).

📌 Conclusão

Enquanto isso, a orientação é que o consumidor aproveite com consciência e valorize o produto local, respeitando o período legal de colheita e adquirindo de vendedores credenciados. A safra de 2025 traz um alerta: o pinhão é mais que um alimento — é um patrimônio natural que exige cuidado, planejamento e respeito à natureza.