Ex-governador e quatro vezes senador anunciou retirada da candidatura após afirmar que não encontrou condições para construir unidade dentro da base do governador Ratinho Júnior. Decisão ocorre em meio à reorganização da coligação governista para as eleições de 2026.
Uma das principais lideranças políticas da história recente do Paraná está oficialmente fora da disputa eleitoral deste ano. O ex-governador e ex-senador Álvaro Dias (MDB) anunciou, na noite desta segunda-feira (3), que desistiu de concorrer a uma das duas vagas ao Senado Federal nas eleições de 2026.
A decisão foi comunicada por meio de uma nota pública, na qual o político de 81 anos afirma que não encontrou as condições políticas necessárias para construir uma candidatura de consenso dentro do grupo liderado pelo governador Ratinho Júnior (PSD).
A saída de Álvaro Dias modifica significativamente o cenário da disputa pelo Senado no Paraná. Até então, o ex-senador aparecia na liderança em todos os cenários da mais recente pesquisa Quaest, divulgada no fim de julho, registrando 20% das intenções de voto.
“Hoje prevalecem os arranjos políticos”, afirma Álvaro Dias
Na nota divulgada à imprensa, Álvaro Dias afirmou que a política atual passou a privilegiar negociações partidárias e acordos internos, em detrimento de projetos individuais.
Segundo ele, a construção de uma candidatura única dentro da base governista deixou de ser possível.
“Infelizmente, compreendi que hoje não existem, dentro do grupo político liderado pelo governador, as condições necessárias para construir essa unidade que eu tanto almejei, também em torno do meu nome.”
Apesar da desistência, o ex-senador ressaltou que sua decisão foi tomada de forma tranquila e sem ressentimentos.
Para Álvaro Dias, preservar a unidade do grupo político sempre esteve acima de interesses pessoais.
“Nunca coloquei um projeto pessoal acima de um projeto coletivo. Não fiz isso no passado e por isso também não o farei agora.”
Ao encerrar a nota, o emedebista afirmou que encara a decisão como parte do ciclo natural da vida pública.
“Faço essa escolha com serenidade, sem qualquer sentimento de mágoa, ressentimento ou revolta. A política é feita de ciclos, e a grandeza de quem a exerce está justamente em saber reconhecer o momento de avançar e o momento de recuar.”
Desistência não indica candidatura a outro cargo
O comunicado divulgado pelo ex-senador não menciona qualquer intenção de disputar outro cargo nas eleições de 2026.
Assim, Álvaro Dias encerra, ao menos neste pleito, uma trajetória que poderia levá-lo ao quinto mandato no Senado Federal.
Ao longo de sua carreira política, ele exerceu quatro mandatos como senador, iniciados em 1983, 1999, 2007 e 2015.
Também foi governador do Paraná entre 1987 e 1991, além de ter ocupado cargos como deputado federal, deputado estadual e vereador de Londrina.
Sua trajetória de mais de cinco décadas na vida pública o consolidou como um dos nomes mais conhecidos da política paranaense.
Mudança ocorre após reorganização da base governista
A desistência de Álvaro Dias acontece poucos dias após uma importante reconfiguração na composição política da base do governador Ratinho Júnior.
Até a última sexta-feira (31), o MDB mantinha candidatura própria ao Governo do Paraná com o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca.
Entretanto, após negociações conduzidas pelo PSD, Greca retirou sua candidatura e passou a integrar a chapa governista como candidato a vice-governador ao lado de Sandro Alex (PSD), escolhido para disputar o Palácio Iguaçu.
Com a entrada oficial do MDB na coligação, o espaço para novas candidaturas ao Senado ficou reduzido.
A aliança formada por PSD, Republicanos, Federação PSDB-Cidadania e Federação União Progressista (União Brasil e PP) já havia definido o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos), como um dos candidatos ao Senado.
Segunda vaga ainda será definida
Embora Alexandre Curi já tenha sido oficializado como candidato da coligação, o segundo nome que disputará o Senado pelo grupo governista ainda não havia sido anunciado no momento da desistência de Álvaro Dias.
Segundo o próprio Curi, existe um acordo político estabelecendo que caberá ao PSD indicar o segundo candidato da chapa.
A expectativa, conforme declarou o presidente da Assembleia Legislativa, era de que essa definição fosse anunciada entre a terça-feira e a quarta-feira seguintes à convenção partidária.
Liderança nas pesquisas não garantiu candidatura
A retirada de Álvaro Dias chama atenção por ocorrer justamente quando o ex-senador aparecia em posição privilegiada nas pesquisas eleitorais.
Levantamento divulgado pela Quaest no dia 27 de julho mostrava Dias liderando todos os cenários testados para o Senado, com 20% das intenções de voto, à frente dos demais pré-candidatos.
Mesmo com esse desempenho, o avanço das negociações entre os partidos da base governista acabou alterando o desenho da disputa, levando o MDB a integrar formalmente a coligação encabeçada pelo PSD e, consequentemente, inviabilizando a candidatura do ex-governador.
A decisão representa uma das mudanças mais relevantes no cenário político paranaense nesta reta final de definição das candidaturas, encerrando, ao menos neste momento, a possibilidade de Álvaro Dias disputar mais um mandato no Congresso Nacional.





